domingo, 4 de abril de 2010

Definição de Geopolítica

A Geopolítica e as Relações Internacionais
‘A política de um Estado é sua geografia’
(Napoleão Bonaparte)

DEFINIÇÃO DE GEOPOLÍTICA

A geopolítica é a disciplina que busca entender as relações recíprocas entre o poder político nacional e o espaço geográfico. Ela procura responder a seguinte questão: até que ponto a ação dos estados nacionais é ou não determinada pela situação geográfica. A geopolítica tem duas finalidades:
1. orientar a atuação dos governos no cenário mundial;
2. permitir uma análise mais precisa das relações internacionais.

OS FUNDADORES DA GEOPOLÍTICA

O raciocínio geopolítico (o aproveitamento do espaço territorial e os limites que este impõe à ação do Poder) sempre influenciou os governantes desde a mais remota Antigüidade. Contudo, a normatização metodológica da geopolítica só ocorreu no século XIX. O “pai” da geopolítica foi um geógrafo alemão FRIEDRICH RATZEL (1844-1904), autor do livro "ANTROPOGEOGRAFIA - FUNDAMENTOS DA APLICAÇÃO DA GEOGRAFIA À HISTÓRIA", que formulou conceitos fundamentais para a abordagem geopolítica da realidade internacional. Em primeiro lugar, a função do Estado, é expandir e
defender o espaço territorial nacional e, além disso, Ratzel conceituava que as fronteiras nacionais são móveis, pois são determinadas pela capacidade político-militar de ampliá-las e de as manter.
Importante é ressaltar que Ratzel reflete o momento histórico da unificação da Alemanha pela Prússia, processo marcado pela expansão militar. A Alemanha Imperial (o IIº Reich) surgiria em 1871 após três guerras: a “dos Ducados”, contra a Dinamarca (1864), a “Guerra Austro-Prussiana” (1866) e a “Franco-Prussiana” (1870). O raciocínio de Ratzel expressa esta íntima ligação entre “unidade política” (proposta de unificação nacional), necessidade de expansão territorial e poder militar.
Nos Estados Unidos da América, o almirante ALFRED THAYER MAHAN, outro precursor da geopolítica, elaborou uma proposta global para seu país. Segundo sua visão, os EUA eram uma “grande ilha” cercada por dois enormes oceanos: o Atlântico e o Pacífico. Portanto, seria um país quase impossível de ser invadido, contanto que tivesse como aliados o Canadá e o México. Mas, também seria fundamental manter a América Central como “zona de influência”. Potência insular, os EUA não precisariam de um exército forte, mas de esquadras navais poderosas: uma no Pacífico e outra no Atlântico. Estas frotas, numa emergência, se ajudariam: daí a necessidade de uma passagem entre o Atlântico e o Pacífico próxima ao território norte-americano. Nascia, assim, o projeto do Canal do Panamá. Mahan, em seu livro, defende a idéia de que as potências marítimas tendem a ser dominantes, pois são capazes de manter o controle de áreas ao redor do continente euroasiático, então o “núcleo sócio-econômico-político” do mundo. De fato, a Eurásia pode ser definida como uma enorme massa territorial contínua cuja segurança depende,fundamentalmente, da ação de forças militares terrestres. Em síntese, as nações euroasiáticas teriam uma mentalidade estratégica fundada nos exércitos; os países periféricos à Eurásia optariam pelo poder naval -
atualmente, aeronaval. Na gíria geopolítica: as nações “baleias” versus os países “ursos”.
Em 1904, o britânico John Mackinder, difundiu a teoria de que a ”Heartland” (“CORE“ – “terra coração”, “região núcleo”) do mundo, em função da sua massa territorial, seria a Eurásia, notadamente a região compreendida entre a Alemanha e a Rússia. No entender de Mackinder, a potência que controlasse essa área seria hegemônica em relação às nações marítimas que, por seu turno, dominariam a “Ilha Mundial” (“World Island”), isto é, os espaços do planeta periféricos ao continente eurasiano. Historicamente, as nações que buscaram o domínio do “core” euroasiático foram, em tempos recentes, a Alemanha e a Rússia; as que buscaram o poderio naval foram, de início, a Inglaterra, e, em seguida, os EUA. Mahan e Mackinder concordavam quanto à existência do conflito entre a “baleia” e o “urso”, só que o americano privilegiava o poder naval e o britânico realçava o papel estratégico das forças terrestres.
As concepções geopolíticas foram, finalmente, sistematizadas pelo sueco RUDOLF KJELLEN que inspiraria os teóricos do Instituto Geopolítico de Munique, cujo diretor foi o general KARL HAUSHOFER . A geopolítica alemã se baseava em três noções: toda potência precisa controlar um espaço geográfico suficientemente grande para garantir sua segurança e possibilitar uma lucrativa exploração econômica;

1.toda potência precisa controlar um espaço geográfico suficientemente grande para garantir suasegurança e possibilitar uma lucrativa exploração econômica;
2. existe a “Ilha Mundial”, o que levou a Alemanha a criar um poder naval;
as áreas hegemônicas do Hemisfério Norte (EUA, Alemanha, Rússia e a então “zona de co-prosperidade asiática, controlada pelo Japão) deveriam subordinar o Hemisfério Sul.
Tal visão geopolítica fundamentou a expansão da Alemanha Nazista (1933-1945), cuja teoria do “LEBENSRAUM” (“espaço vital”) visava anexar áreas territoriais onde houvesse habitantes de “sangue alemão”, definidos como um povo “viril e vigoroso”. Nesse caso, a geopolítica foi uma arma conceptual nas mão de genocidas e violadores dos valores humanistas. Na década de 30, o geopolítico NICHOLAS SPYKMAN defendeu a idéia de que o expansionismo alemão só seria barrado por meio de uma aliança
entre o poderio naval anglo-americano e a Rússia, potência militar terrestre. Para Spykman, o controle do “Heartland” euro-asiático era menos importante do que o domínio do RIMLAND (o “anel marítimo”).
Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quando do início da “Guerra Fria” (o conflito político e ideológico, por vezes marcado por “guerras limitadas”, entre as nações ocidentais, lideradas pelos EUA e as subordinadas à URSS), os EUA retomaram a teoria de Spykman, buscando cercar o país dos “soviets” através de forças aeronavais.

O USO CORRETO DA GEOPOLÍTICA
O raciocínio geopolítico é útil quando:
1. foge a um estrito determinismo geográfico
2. os dados culturais, sociais, econômicos e as relações de forças políticas são levadas em conta.

As Primeiras Teorias das Relações Internacionais

Conflitos, trocas comerciais e pactos entre as diversas comunidades sempre existiram. Contudo, a noção de relações internacionais é recente, já que o surgimento dos “Estados Nacionais” data do final da Idade Média. De fato, o “Estado – Nação” começa a se consolidar a partir dos séculos XVI e XVII, daí a necessidade de teorias políticas que justificassem e legitimassem a sua existência e orientassem suas ações em relação a outros estados.
No século XVI, na Itália surgiria a “ESCOLA DE PENSAMENTO POLÍTICO VENEZIANO – FLORENTINA” que formulou o conceito de “razão de estado”. Essa noção implica que a Ética e o Direito são determinados pelos interesses do poder político: é “justo” o que é útil para o Estado, é “certo” o que o Estado define como tal. Em suma: a necessidade determina a lei. Quando de sua formulação inicial, o principio da “razão de estado” significava a vontade do governante e/ou de sua dinastia. O “interesse do estado” era o desejo do “Príncipe”. Os conflitos internacionais foram, no século XVI e XVII, determinados pelos interesses monárquicos. Naquela época, nos canhões dos estados nacionais, então ainda embrionários, estava escrita a frase: “a última razão dos reis”. Noutros termos, não satisfeitas as exigências do Príncipe, seriam ouvidas as vozes tonitroantes dos canhões. Pouco a pouco, os estados modernos – inicialmente expressões das monarquias nacionais - passaram a ser definidos como “estados nacionais”. Com efeito, a partir do século XVIII, a “razão de estado”, até então a vontade do governante,adquiriu o sentido da defesa das aspirações das “comunidades nacionais”. Surgia o conceito de nação. Isto ocorreu, de início, na França, quando do Absolutismo da dinastia Bourbon. Para os filósofos políticos, tornava–se premente definir o conceito de Nação, pois os Tempos Modernos ( período compreendido entre os séculos XVI e XVIII) firmaram o preceito de que Nação só existe quando regida por um Estado.

NAÇÃO: UM CONCEITO COMPLEXO

Na Europa Oriental, “nação” sempre implicou “origem étnica”: é sérvio quem tem ”sangue sérvio”; poloneses são aqueles que possuem “origem racial polonesa” e assim por diante. Modernamente, a Antropologia ( ciência que estuda as estruturas culturais das comunidades humanas ) não mais aceita a noção de “raça”. No mundo ocidental, nação significa uma coletividade de mesmas raízes culturais, ritos e símbolos comuns e dotada de um projeto político – sócio – cultural uniforme. Em suma, uma nação se define culturalmente e não racialmente. Exemplo disso: os brasileiros formam uma nação, embora as origens étnicas sejam múltiplas: italianos, portugueses, espanhóis, japoneses, africanos, etc. Atualmente, a Filosofia do Direito conceitua que uma nação é uma comunidade, étnica e socialmente diversificada, política e juridicamente organizada pelo Estado.

7 comentários:

  1. Já contribui bastante' se não atendeu a todas as suas necessidades procura mais, um bom estudante e leitor faz isso' Não fica menosprezando o trabalho alheio que sabe-se lá se poderia fazer igual ou melhor. Obrigada pelo texto (:

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  2. Gostei muito.
    Vou usar essas informações no meu SIMULADO.
    Parabéns, tá muito bom e muito explicativo.
    --'

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  3. para: navegação, pesquisa




    Nicholas John Spykman



    Nascimento

    1893
    Holanda



    Morte

    1943



    Influências


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    Influenciados


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    Escola/tradição

    Filosofia Política



    Principais interesses

    Realpolitik, Poder, Política



    Ideias notáveis

    Rimland, Teoria/ Estratégia de Contenção.


    Nicholas J. Spykman (1893 – 1943) foi um Geógrafo e Geoestrategista de grande influência nos Estados Unidos. Nascido na Holanda e radicado nos EUA, formulou a teoria do Rimland e é considerado um precursor da "Estratégia de Contenção" do pós-II Guerra.[1] Como Cientista Político é considerado um influente pensador da corrente clássica de pensamento Realista na política exterior norte-americana, trazendo o pensamento geopolítico europeu para os Estados Unidos.[2] Spykman faleceu vítima de cancro, aos 49 anos de idade.....Joao Bata...Ensino de filosofia UNISAF

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  4. Muito interessante esse texto!
    me ajudou bastante.

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  5. Achei um pouco confuso em determinadas teorias. Mas muito bom texto.

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